artista visual, autor de quadrinhos e DJ.
Novo mas sem desprezar a tradição
texto por Oscar D’Ambrósio*
MZK traz para o ambiente das galerias objetos e pinturas marcadas por alguns elementos fundamentais da arte contemporânea. O principal é a o diálogo permanente entre diferentes linguagens. Em seu caso, a música e o desenho se articulam de diversas formas, das mais óbvias àquelas menos esperadas.

O universo dos quadrinhos é uma fonte primária fundamental, mas há muito mais do que isso. Um exemplo são os mapas de locais fantásticos em que há a articulação de ícones de sua preferência na construção de uma geografia imaginária, com elementos misteriosos como máscaras ou alusões às esculturas da Ilha de Páscoa.


A paixão pela música pode ser observada não só na pintura de tambores, mas no assunto e, acima de tudo, pelo estabelecimento de uma espécie de harmonia rítmica no uso das cores e no processo de composição. Há ainda a presença de uma atmosfera tropical, seja na cor, seja no humor ou na visão alegre e crítica de mundo.

Cabaças pintadas na tela ou literalmente compradas e transformadas pelo artista com o uso de cores e outros recursos apontam para uma inquietação na construção de uma linguagem visual que não se basta no bidimensional. Existe a procura permanente pela conquista do espaço, visto como ilimitado campo do experimentar.

A presença de peixes estilizados, por exemplo, não constitui apenas uma marca registrada. Traz uma percepção de cor e uma construção visual em que há a busca do equilíbrio e, acima de tudo, a criação de relações plásticas entre as cores e delas com as formas.

A composição de cada imagem, numa estética vinculada aos fanzines e a narrativas visuais em que a imagem não só se impõe em si mesma, mas se relaciona com as vizinhas, traz um pensar e um fazer que se irmanam pela convicção de que a arte transmite um interpretar o chamado real, seja via música ou via pintura.

As máscaras são uma presença importante. Trazem alusões a culturas da África e – o que é mais importante – apontam para um diálogo renovado com uma tradição ancestral. Esse ponto faz do trabalho de MZK um fluir permanente rumo ao futuro com a pujança de um conhecimento de hoje que não despreza os antigos saberes.
*Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

Exposições Coletivas:
Expresso da Meia Noite, 1989. Madame Satã/ SP
Energetic Zines, 1993. Secretaria de Cultura/ SP
Amazônia 3000, 1996. Sesc Pompéia/ SP
Stripdagen Haarlem, 1996/ Haarlem, Holanda
Angeli, o Matador, 1999. F.I.Q./ MG
Desenhos Nunca Vistos, 2002. Galeria Obra Aberta/ RS
Latinidades, 2003. Sesc/ SP
Expo Calaveras, 2004. Choque Cultural/ SP
O que é o Brasil, 2005. Senac/ SP
Sertões Paulistanos, 2005. Quinta Cariris/ SP
Catalixo, 2005. Choque Cultural/ SP
Erótica, 2005. Choque Cultural/ SP
100 Latas, 2005. Grafifteria/ SP
Varal, 2005. Grafiteria/ SP
Impulso Coletivo, 2005. Instituto G-Tech/ SP
Spray, 2006. Memorial da América Latina/ SP
Choque Cultural Season, 2007. Ocontemporary/ Brighton, UK
Transfer- Cultura Urbana, 2008. Santander Cultural/ Porto Alegre, RS
São Paulo, 2009. Scion Space/ Los Angeles, EUA
Exposições Individuais:
MZK (fanzines), 1993. Livraria Belas Artes/ SP
Tropical Death, 1993. Jungle Bar/ SP
El Space Donut, 1994. Aze 70/ SP
3, 1995. Matrix/ SP
I Mostra Extrema de Lambe-Lambes Populistas, 2000. Bar Penhal/ SP
Freestyle, 2004. Galeria Adesivo/ RS
Bambu, 2006. Poetry Cafe/ Londres/ UK
Enquanto isso..., 2006. Choque Cultural/ SP
MZK e o SR. Peixoto, 2007. La Cucaracha/ RJ
MZK, 2009. Choque Cultural/ SP
Goiânia Nóis, 2009. Goiânia/ GO